POLITIQUESE

| 14 de janeiro de 2013

Resenha Alexis de Tocqueville, por Eric Vellone Coló.

De acordo com a estrutura de argumentação de Alexis de Tocqueville, é possível notar que a história dos Estados Unidos da América apresenta uma tensa relação entre liberdade e igualdade. A ascensão da igualdade de condições e da adoção de um regime democrático tanto no plano político quanto no plano social fazem com que nos deparemos com um cenário onde a paixão igualitária cria fortes traços de indivíduos atomizados com diminuída noção de solidariedade e exacerbados pelo bem estar particular e pela tranqüilidade pública. Neste ínterim, os indivíduos vão delegar e confiar os negócios públicos exclusivamente ao governo (Estado). Nasce, desta lógica, a necessidade de se criar instrumentos que mantêm a participação política e evitam a centralização demasia de poder.

Para o autor, religião, governos locais, liberdade de imprensa, judiciário independente e educação cívica são bons instrumentos para tal objetivo, entretanto, é na “ciência da associação” que Tocqueville vai basear a argumentação sobre a proteção da liberdade. Na frase de “Democracia na América”, “não há país (EUA) onde as associações sejam mais necessárias para impedir o despotismo dos partidos ou o arbítrio do príncipe (…)”, fica explícita a tese do autor, que é complementada com a noção de interesse próprio bem compreendido.

A lógica do interesse próprio bem compreendido vai se estabelecer, então, quando os habitantes dos Estados Unidos combinam seu bem-estar próprio com o de seu companheiro cidadão, conciliando os objetivos particulares com a idéia de bem coletivo, não com uma virtude “altruísta”, mas com a visão de que trabalhando para a felicidade de todos eles estavam contribuindo para lograr seus interesses particulares. O vínculo é necessário para o sucesso de uma coletividade, inclusive despertando, assim, para os assuntos de ordem pública e de atuação no Estado.

Dessa forma, a criação de associação é, para o autor, o meio de desenvolver a virtude de interesse público e a manifestação de iniciativa nos cidadãos, através da circulação de idéias e do debate entre cidadãos por através da imprensa, da participação nos órgãos administrativos de suas comunidades e por meio de ações cooperativas. A associação é um “poder” intermediário nessa relação entre indivíduo isolado e Estado poderoso; ela vai mediar e equilibrar o sistema, garantindo o atendimento aos interesses dos indivíduos e por conseqüência sua liberdade política.

Eric Vellone Coló

A reprodução parcial ou integral desta resenha é livre, desde que citados a fonte e o autor.

 

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